Archive for the ‘Imprensa’ Category

QVUC na MegaTV

dezembro 19, 2010

Já está no ar a matéria que a Mega TV fez com a gente em novembro!
Assista e conheça um pouco mais sobre nosso projeto.

O valor de compor e cantar com amor

agosto 10, 2009

Por Zé Augusto de Aguiar

MPB, bossa, blues, rock e samba. Canções tão ricas nas letras – algo raro nesses tempos de fórmulas prontas e refrões fáceis – que parecem poesias e crônicas cantadas. Melodias e ritmos envolventes nos violões de quem conhece a beleza de cada acorde. Jovens artistas paulistanos fazem dos shows do projeto “Quanto vale uma canção?” um original encontro de profissionais iniciantes ou um pouco mais experientes buscando espaço na música nacional. As noites (terceiras de cada mês) rolam com gostosas conversas dos músicos falando de suas composições e depois exibindo-as. O preço desse espetáculo inovador? Paga-se apenas na saída o quanto você achou que o show e os artistas mereceram. O evento rola sempre no aconchego simples do Teatro da Vila (Jericó, 256, estacionamento próprio gratuito). Ali curtimos então músicas raras, feitas com paixão por esses artistas de almas ainda amadoras – daqueles que fazem música por amor, e não para atender um estilo ou temática comercial  do mercado. E além de ouvirmos saborosas histórias e reflexões sobre amor, solidão, cotidiano, natureza, globalização etc, podemos acompanhar as canções com as letras, entregues antes da apresentação. Assim, o projeto recupera um pouco o espírito dos espetáculos que ofereciam programas completos da arte em exposição. Jeito bacana da gente poder apreciar melhor e recuperar os versos das canções de que gostamos mais.

As velas e cores da vida

O show de 23 de julho começou com o embalo marinho e romântico de “Leva o veleiro” e “O bonde”, por Fefê Gurman. A primeira envolve feito brisa no mar com versos como “quem sobre na proa do meu pensamento…”. Na seqüência, o quase um garoto, Lucas Wirz, admitiu-se um pouco nervoso, mas logo sua música espirituosa e bem cotidiana, Cinza, mostrou a força das amizades para superarmos a ausência de cores da tristeza: “Esse cinza que não passa,  sem graça, passará / Ainda bem que temos uns aos outros”.

A procura pessoal

Rafael Crespo senta no palco e manda uma crônica forte sobre um sonho louco de um cara que persegue uma bela mulher mas descobre-se perseguindo a si próprio. Original canção de descoberta pessoal a lembrar os gaúchos do Nenhum de Nós. E a letra, enorme (para os dias de poucas palavras de hoje) orgulharia o cronista Renato Russo.

A procura de Fepa é outra. Ele musicou dois poemas do avô português com uma pegada meio rocker meio MPB a la Nando Reis na canção “Vestígios de Ti” e depois segue mais rock, com pitadas blues, refletindo com otimismo sobre o tempo em “Repara”. “Repara na beleza que o tempo tem / avança, vai e revém / E quando a gente acha que já foi o tempo / Eis que o tempo se torna tempo outra vez”. Aqui ele mistura um violão belíssimo e tocado com garra com uma gaita que arrebata ao melhor estilo Neil Young. Uma bela canção com gaita, não lembro da última vez que escutei isso na cena brasileira.

Dores de amores

Depois da chama de Fepa, o show fica mais intimista nos cantos de amores sofridos de Edu Marin, outro que teve a coragem de alertar sobre os nervos à flor da pele. Mas Edu começa a cantar e emociona fácil com um profundo canto da solidão, “Carnaval”, letra triste cantada com leveza que faz um solitário até assobiar e brincar com a própria dor. Ele ainda emenda a bossa refinada nas cordas, “Desliguei”, outra desabafo, “jurei de pé junto que não peço mais socorro / viver desgostoso não vale essa sombra de amor que ela tem pra me dar”.

A delicada Lu Horta, grande voz da noite – suave, ampla e envolvente – segue discutindo o amor na rica canção, bem nova MPB, “O ponto”. Ela explora os vários pontos dos relacionamentos e também do nosso idioma. “Se é pra ser um ponto / Me deixa ser o final… Me dê sua mão / Me deixa ser sua interrogação /A maior dúvida de sua história”.

Do amor, Lu segue torrencial, agora cantando a fluidez das várias águas vitais em nossas vidas. O título singelo e minimalista dessa música, “Ô”, representa o som da palavra água (eau) em francês. E a moça deságua então líquida feita seus versos, “Água no mar / Do pensamento / Pronto pra sair / O rosto molhado e sem direção / Tempestade invade por dentro”. Nessa canção, o violão e voz doces de Lu ganham o peso de uma pegada roqueira nas cordas da parceira Dani Luppi, a química incendeia essa música azul poderosa. Típica canção que ganharia ainda mais força com a eletricidade de uma guitarra e baixo, fica a sugestão.

Dani Luppi traz ao show sua batida forte de violão, canto guerreiro e letras fortes. Canta também os labirintos do amor: “a medida da indecisão é a chave da maldição / que destrói nosso conto de fadas / que transforma um sonho em nada”. Ela ainda homenageia sua cara metade em outra composição de amor batalhado, “Água e vinho tinto”. Dani liga seu celular, deixa um som eletrônico líquido rolar e encara a platéia só na voz, oferecendo seu “amor de carne e osso, água e vinho tinto / condenado a ser amor até a última gota”.

Tira sua tristeza pro meu sorriso chegar

A hora agora é do anfitrião da noite e idealizador do projeto “Quanto vale uma canção”, Dani Turcheto. Entra em cena o bom e velho samba-canção, entoado com alegria no vozeirão grave de Dani; a alegria e naturalidade de quem canta e toca fácil como se estivesse numa roda de amigos. E ele esgrime então seu dedilhar rápido nas cordas, sambista nato de pé e dedos; e penúltimo artista do show.

Daniel oferece o divertido sambinha que embala, “Luz Acesa”, em que um homem pede a volta da amada que mais uma vez deu área após uma briga. “Meu bem, você gasta tanta energia / Outra vez, a nossa casa tá vazia / Só deixo a luz acesa pois ainda quero você”. Pra finalizar, Dani vai de MPB para saudar um relacionamento mais alegre e romântico com a canção “Olho pro céu”: “ e de noite eu prefiro a lua que brilha aqui perto, pois me lembra você”.

O Teatro da Vila finaliza o show gostoso, quase íntimo, com o grande destaque da noite, a voz já madura e capaz de nuances várias, de Leandro Bonfim. Ele começa com o blues/rockzinho existencial, “Óculos”, “Eu já vi fome vi riqueza / Vivi de noite e de dia / Não quero ver mais nada / Quero deixar meus óculos na tua casa”. Esta é outra canção energética desta apresentação que ganharia mais peso e profundidade junto de uma banda. E Leandro encerra o evento com uma crítica engraçada sobre a globalização que quer deixar o mundo todo igual. “Chineses” é MPB com pitadas rock, quase pop, cutucando as imposições frenéticas e asfixiantes do sistema, “tenho pena de todos os mundos / que se quebram todo dia / Tudo girando rápido”.

Fim da noite e vamos embora com um sabor diferente. O sabor de recebermos músicas e versos diferentes de quem busca seu espaço cantando e tocando apenas o que o coração manda. E isso vale demais em cada canção. Deixei então minha contribuição, tipo preço de um CD, e fica aí a sugestão: uma das noites do projeto poderia se vender como ingresso (no final) o cd de um dos artistas. Assim levaríamos pra casa a obra (pode até ser um EP com 4, 5 canções) de quem mais gostamos. Assim pagaríamos quanto valem essas canções pra gente, mas levaríamos o artista pra casa em letra e som. Tá certo, talvez esteja querendo demais, mas fica o recado. E o convite, para outros músicos talentosos e puros, procurarem o pessoal do projeto para poderem dividir outras noites como essa.

Quanto vale uma canção – Teatro da Vila – toda 3ª quinta-feira do mês.

Dani Turcheto explica o projeto Quanto Vale?

agosto 1, 2009

Marcelo Duarte conversa com Dani Turcheto sobre o projeto Quanto Vale?, que discute a diferença entre valor e custo de um produto cultural.

Veja a entrevista completa  na TV iG.

Matéria no JT

julho 17, 2009

O jornalista Marco Bezzi do Jornal da Tarde fez uma reportagem bacana sobre a primeira noite do projeto.

Download PDF

JT

JT